Atualmente estou lendo um livro de George Mine, chamado A história do Riso e do Escárnio. Quando o autor começa a dissertar sobre o riso na idade média, ele confirma a tese defendida pela igreja medieval, que era pecado rir, que o riso era uma característica da queda do homem. Alguns teólogos medievais afirmavam que ri era uma herança diabólica do diabo, pois quando sorrimos “desconfiguramos” o nosso rosto. A igreja foi massacrante com seus pensamentos irracionais, justificado por uma má exegese bíblica.
Já hoje, temos que rir. Rir para não chorarmos com a realidade.
Começo rindo do cenário político brasileiro, porém, às vezes não sei se eles estão rindo de mim ou eu deles, a cada bonificação recebida pelos nossos queridos deputados, senadores e o resto dos donos do poder, comparando com o meu contracheque no final do mês, a única saída é rir, porque até agora não criaram o imposto do riso.
No cenário religioso, temos padres pedófilos. Bem, mas o Papa disse que vai excomungá-los, então tudo resolvido, as crianças abusadas perderam seus traumas, as famílias afetadas terão solução para os seus problemas. Que “excomungação” poderosa, tenho que rir. Os pastores mercantilistas, que fazem da fé um mercado; mas tem um lado bom, as pessoas recebem o milagre. Então tenho que continuar rindo.
A educação brasileira. Tenho alunos no 9º ano do ensino fundamental que não sabem ler, e os que aprenderam a decodificar as sílabas, não compreendem o que ler. Menos mal, não terão a tristeza uma dia de abrir os jornais e lerem sobre a realidade brasileira. O que vou fazer? Tenho que continuar rindo, porque rir não é pecado.
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