Sempre perguntei em meu subconsciente, qual a razão da população judia ter escolhido Barrabás ao invés de Jesus. Nunca obtive uma resposta clara e racional para esse questionamento pela razão do local onde eu buscava as respostas. No cenário religioso, as respostas sempre serão de cunho religiosos, ou seja, nesta explicação as pessoas teriam sido persuadidas por demônios, pois teriam escolhido para ser liberto um ladrão e não o salvador.
Mas, me refugiando nos oásis da história pude perceber que essa escolha foi plenamente racional. Arrisco até a afirmar que se estivesse na multidão gritaria BARRABÁS, sim, essa postura é lógica, e não religiosa, visto que toda analise religiosa não é racional, é puramente espiritual, e portanto, desprovida de caráter questionador.
Quando a massa judia gritou para a liberdade de Barrabás, estava gritando por um revolucionário, alguém que fosse contra o poder controlador da época – O poder político romano. Barrabás não era um simples ladrão como muitos afirmam, Barrabás era um zelotes, isto é, fazia parte de um grupo político judeu, que pregava a independência da colonia judia, do poder político romano, logo, sua liberdade representava a volta de uma voz revolucionária. Isto automaticamente, justifica a traição do decimo segundo discípulo, Judas.
Bem, e Cristo não foi um revolucionário? Não, as ações e pregações de Cristo, caracterizava apenas mudanças na superestruturas, em nenhum momento, e em nenhuma pregação tratou de questões referentes a infraestrutura. Em um momento de teste, foi questionado sobre se era correto pagar imposto a roma, e este evitando conflito com o poder local afirmara: “Dá a César, o que é de César; e a Deus, o que é de Deus”; sabia colocação, fugiu pela tangente e poucos notaram. Cristo evitava qualquer conflito político, propunha uma reforma social religiosa, e não, uma revolução.
Existe uma grande diferença entre mudança e reforma. A mudança é caracterizada por uma motivação revolucionária, ou seja, toda mudança deve-se começar na infraestrutura, visto, que é impercebível qualquer mudança que não se inicie na base, isto é, que não tenha motivação econômica. Reforma, portanto, caracteriza apenas uma reforma, ou seja, uma mudança no ambiente das superestruturas, nas ideologias e instituições políticas.
Recordando as passagens bíblicas, em nenhum momento pude perceber o Cristo pregando mudanças na infraestrutura da sociedade judia, todas suas atuações eram de caráter ideológico, logo, só propunha mudanças na superestrutura, o que nunca poderia fazer dele um revolucionário.