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sexta-feira, 25 de junho de 2010

HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA E FUTEBOL

A principio é bem incoerente relacionar historiografia a futebol, mas um fato vivido por mim hoje (25/06/2010) me fez refletir sobre essa relação. Quando assistimos a um jogo de futebol, cada brasileiro ao terminar o jogo tem uma narrativa, para uns o jogo foi o máximo, para outro a escalação estava errada e outro torcedor pensa que o time deveria sair da retranca. Na historiografia é bem assim, se viajarmos nada historiografia brasileira vamos encontrar inúmeras e distintas narrativas, cada um descreve um Brasil da sua forma, semelhante ao torcedor.

Desde a iniciativa do IHGB de fazer uma história do Brasil, o escolhido para narrar esse jogo da história foi Adolf Varnhagen, e ele deu a sua opinião, ele narrou o Brasil numa ótica bem doce e romântica para o colonizador, na sua narração ele não valorizou o personagem ameríndio, quem sabe para ele este não deveria está jogando, e ele deu a sua opinião: Os índio devem ficar no banco, e nunca ser posto em jogo. Por razão deles podemos levar Brasil a derrota.

No final do século 19, surge outro torcedor que dá a sua opinião, o nome dele é João Capistrano de Abreu. Este torcedor acreditava que se o mameluco fosse posto em jogo o time poderia ser melhor, desenvolver mais, ser mais ofensivo e quem sabe levar o Brasil a algumas vitórias. Na sua obra CAPÍTULOS DA HISTÓRIA COLONIAL, onde foi elaborada ainda sobre o prisma da historiografia positivista – o que pode ser notado já no seu primeiro capítulo, numa narração bem cientifica sobre a fauna e flora, e os povos ameríndios desta terra. Ele não muda muito a escalação do time, não retira todos os luso, apenas alguns, nessa substituição ele coloca em alguns momento jogadores sertanejos e mamelucos.

Nas primeiras décadas de século 20, vai surgir outro torcedor fanático, doente e saudosista, o seu nome é Gilberto Freyre. A sua historiografia é a mais romântica e também utópica de ser lida, este autor cria Brasil dos sonhos, semelhante à seleção brasileira de 1982, que nunca ganhou. A história do Brasil narrada por Freyre, criada na região nordestina, onde ele discute a relação branco/negro, ele esqueceu a realidade, se negou de ganhar e quis dá show, foi o que fez a seleção de 1982, deu show mais perdeu. Ele narrou sua realidade, e não, a realidade puramente brasileira, pelo contrario a escondeu, não narrou os conflitos, na verdade não queria fazer isso. A sua escalação era o retorno do personagem luso, mais colocou também o escravo, a escalação era mais ou menos assim: escravo na zaga tirando todas as boladas, recebendo todos os travões, e o luso no ataque fazendo os gols e levantando toda a torcida. Bem, esta foi à história de narrada por Gilberto Freyre.

Bem, na minha ótica, este são os mais fanáticos torcedores da história do Brasil, e como deu para perceber cada um tem uma opinião, vê o jogo de uma forma, acreditam que desta ou daquela forma que é escalado, o Brasil jogaria mais, numa linguagem historiográfica teria uma formação histórica melhor. Não podemos dizer que este ou aquele está errado, críticas todos podem fazer, menos rasgar as sua obras e seus escritos. Como é numa partida de futebol, cada um tem sua opinião, tem sua visão de jogo. A historiografia também é assim.