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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Medo: Uma invenção social


Desejo iniciar este breve texto com a frase de Leandro carnal, numa colocação que pretende relacionar o medo ao controle religioso social, ele afirma o seguinte: “O medo enche mais as igrejas que o amor”. Por certo, as igrejas são as pregoeiras do amor, seja no âmbito horizontal (fraternal), seja no âmbito vertical (ágape), mas por detrás de todas essas pregações adocicadas de romance, a religião desde seus primórdios, que nasce junto com a humanização, fabricou sua principal arma de controle social, o medo.

Sejam nas religiões orientais, africanas, e ocidentais, os fieis sempre encontraram uma bifurcação, uma conduzirá ao paraíso e outra ao fim trágico (uma espécie de inferno), qualquer destino a tomar tem o medo como maior determinante.

Sabendo disto, ainda na antiguidade os governantes usaram o poder religioso incluso no poder político para obter um maior controle social e político (teocracia). No medievo, com o fim do Império Romano no Ocidente (476), tudo tenderia a uma anomia social, com o estilo de administração bárbara, observando essa lacuna e a oportunidade de usar a velha arma de controle social, o medo.

O medievo fora o período de maior efusão dos mitos de inferno, castigo, satanás, demônios, fantasmas e do próprio Deus Juiz.

Essa proposta de controle social tornou a Igreja medieval o órgão mais poderoso no ocidente medieval, trazendo como fruto deste medo todos os outros benefícios, seja econômico e político.

Considero o que se chama de contemporâneo ou Idade contemporânea em alguns aspectos bem medievais, principalmente quando o tema é o medo. Por certo se nos modernizamos tanto, crescemos tecnologicamente, já lemos quase todos os tratados gregos-romanos de filosofia, Por que temos o medo? Na verdade, o sentido não é deixarmos de ter medo, mas do que ainda temos medo.

O diabo ainda é na maioria das opiniões o maior causador de todos os males, e quando os males são de origem divina, se chama de castigo ao pecado, uma concepção bem pré-diluviana. A libertação dos medos trata ao homem uma maior responsabilidade dos fatos, perceberá que seja bom ou ruim algo que acontecer é unicamente sua a responsabilidade. Bem, mas ainda vamos as Igrejas, seja católica, evangélica, budista, hinduísta, islâmica, afro-brasileira, todas vão utilizar o medo, pois precisão manter a sociedade sob seu controle.