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domingo, 9 de outubro de 2011

EDUCANDO DE OUTRA FORMA

Minha história no magistério não é longa, ainda sou um menino na arte de ensinar, e recentemente descobrir que existem novas formas de educar. Já tinha provado das novas perspectivas de ensino, mas de forma teórica, na leitura de autores consagrados, porém, nunca na prática. Em 2010 conheci a ACENE, por meio dos seus coordenadores, Luciana e Edson, ambos apresentaram para os professores da Escola Municipal Luiz Bezerra de Mello uma nova proposta pedagógica, o Intercâmbio Cultural, que mais tarde iria se concretizar com duas cidades, Tamandaré e Serra Talhada, e após isto comecei a descobrir que existem outras formas de educar. Nossos alunos vivenciaram experiências que para sempre iram ficar marcadas em suas vidas, desde as correspondências por cartas dos alunos de Serra Talhada com os de Santo André até o encerramento com as apresentações dos projetos de pesquisas, tudo foi magistral. Tive a oportunidade de fazer meus alunos provar a dosagem certa de ciência, eles pesquisaram, e fizeram história. O conhecimento cultural fora outro ganho para a vida dos alunos, pude presenciar ontem, dia 08 de outubro de 2011, os depoimentos emocionantes de alunos residentes no sertão do Pajeú (Serra Talhada), sobre suas emoções ao ver o mar, sem contar as nossas emoções quando estivemos lá, na Terra de Lampião, pelo menos eu fiquei fascinado. Mas retorno a discussão pedagógica. Lembro que quando conheci a proposta de uma nova escola, pelo teórico Marcos Bagno, fiquei extremamente emocionado, mas questionava: Como isso é possível? Errava ao pensar que meus alunos não seriam capazes. Eles foram brilhantes, fizeram eu tremer, minha barriga apertar, foram poucos minutos, contudo me sentir realizado como professor, foi um momento onde percebi meus objetivos sendo realizados, até por que não ensino meus brilhantes alunos para fazerem provas, ensino para a vida, para saberem viver. A experiência do Intercâmbio Cultural Tamandaré - Serra Talhada me ensinou mais que os quatro anos de faculdade, aprendi a educar para a vida, e mais, meus olhos lacrimejam ao pensar em meus alunos fazendo história, fazendo mesmo, sendo autores da história miúda do seu vilarejo, descobrindo, perguntando, praticando o que Foucault chama de arqueologia do saber. Antes imaginava e até praticava o magistério de forma seca, hoje, cada aula tenho que me emocionar, porque educação também é emoção, e não consigo mais entrar na aula sem o coração, sem vontade, até por que não tenho mais alunos no sentido etimológico da palavra (sem luz), tenho amigos, tenho adolescentes que aprenderam a confiar em mim, que compartilham comigo suas dificuldades. Não posso me considerar o mesmo professor de antes, hoje sou um novo professor, com novas perspectivas, e um dia vou ter a sorte de ver a semente que já rasgou o solo, crescer e dá seus frutos.